terça-feira, 19 de outubro de 2010

se essa rua fosse minha

dedicado a uma das mulheres da minha vida

se essa rua fosse minha...

todos nós temos uma rua e eu não sou uma excepção.
apesar de viver numa travessa, quando falo da estrada diante da casa onde moro desde sempre, refiro-me sempre "à minha rua" mas, no entanto, não é minha na realidade.
foi nela que, muitos anos antes de ser alcatroada, joguei à bola até às tantas da noite e esfarrapei os joelhos vezes sem conta, corri ao lado de pneus velhos, aprendi a andar de bicicleta, saltava para as poças de água quando chovia e onde aprendi o mais básico de conduzir um carro entre tantas e tantas aventuras e desventuras que vivi diante da minha casa e das dos vizinhos.

...eu mandava ladrilhar...

nem sempre a "minha rua" foi como hoje se vê. no tempo dos meus bisavós e dos seus antepassados era um estreito caminho por onde passavam as vacas a puxar os seus carros vindos do trabalho no campo. mais tarde, no tempo dos meus avós e mãe, esse caminho deu lugar a algo mais largo coberto por caruma para as pessoas passarem e, há trinta anos atrás, transformou-se numa estrada de saibro que enchia tudo de pó no Verão e de lama e buracos no Inverno e assim ficou durante os vinte anos que se seguiram, altura em que foi alcatroada mas sem direito a passeios... até há dois anos em que me chateei e fiz ultimatos à câmara municipal e lá fizeram os passeios.

...com pedrinhas de brilhantes...

os passeios foram feitos e o estreito caminho que fora antigamente estava irreconhecível para quem se lembrava dele.
tu lembravas... e acompanhaste todas as mudanças que foram feitas ao longo dos anos e por isso mesmo, de vez em quando, vinhas ao portão do jardim espreitar o avanço da construção dos passeios.

...só pró meu amor passar!!

no final do primeiro dia, já havia bastante passeio feito em frente do que outrora fora a tua casa durante anos e que havia sido destruída pouco mais de um mês antes.
foste a primeira pessoa a usa-lo e isso deixou-me tão contente pois foi o teu desejo durante alguns anos e do qual apenas aproveitaste pouco mais de um mês...

19-Outubro-2009 - 17h20

existem datas que nos marcam e esta é uma delas...
este é o momento que recebo uma chamada no telefone... a pior notícia de toda a minha vida...
nunca mais veria o teu sorriso... nunca mais sentiria o teu abraço... as nossas brincadeiras... os teus ensinamentos...

raiva... desespero... vazio...

hoje, um ano depois, apesar de sentir a tua presença, sinto a tua falta...

ouço a última música que te fez cantar...

se essa rua fosse minha
eu mandava ladrilhar
com pedrinhas de brilhantes
só pró meu amor passar


até logo, avó...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

alexandra burke - the silence

passaram-se quatro meses escondido por detrás do silêncio das palavras que me corroem a cada dia que passa... mas hoje volto com uma música que tenho ouvido ultimamente na rádio.
trata-se de uma inglesa de seu nome alexandra burke que cometeu a proeza de vender um milhão de cópias do seu primeiro single em menos de um mês.
espero que gostes

terça-feira, 20 de abril de 2010

dia de hoje

para os(as) mais desatentos(as), ao contrário do que foi feito o ano passado, além destas palavras que aqui deixo, não vou escrever mais nenhumas.

beijos e abraços a todos(as) que me lêem...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

a barba

para quem leu o post carta ao pai natal em dezembro de 2008, ficou a saber que usava barba nessa altura.
quem me conhece pessoalmente sabe que tenho o costume de não cortar a barba durante algum tempo ou apenas fazê-lo de semana a semana.
esta prática remonta a uma série de anos atrás quando, com pouco mais de dezassete anos deixei crescer a minha primeira barba. bem... digamos que não era a barba completa mas sim a chamada pêra (bigode e queixo), mas com pouco mais de meia dúzia de cabelos semeados em dia de tempestade...
é claro que, com o passar do tempo, a "sementeira" foi alastrando.
e durante anos usei a referida pêra durante períodos de tempo... uma vez das quais, em jeito de aposta, cortei-a no início do ano e apenas a voltei a cortar a meio de julho, depois de garantir o sucesso da conclusão do 12º ano...
o tempo foi passando e passaram também a ser vastas as vezes em que a barba era cortada todas as semanas mas, como tenho a pele sensível, ficava sempre parecido com os índios... de pele vermelha...
até que um dia decidi voltar à pêra...
desilusão... já não me conseguia ver com ela estampada em mim... foi nesse momento que optei por deixar crescer a barba por igual (ou quase) e eis que passei a gostar.
desde então, que deixo crescer a barba e passado pouco tempo, corto-a para voltar ao mesmo.
neste momento, deves estar a perguntar o porquê disto...
simplesmente porque faz hoje 4 meses que não corto a barba... 121 dias sem pegar no estojo de barbear...
quase todos os dias alguém me diz "quando é que cortas essa barba?" ou "deves ter calor com esse "pêlo" todo na fuça" ou ainda "não achas horas de cortar essa barba?"...
até o meu sobrinho mais velho me chateia com esse tipo de perguntas...
não é por me "pressionarem" que a vou cortar...
tudo tem uma razão de ser e, ao deixar chegar a este ponto, tem uma muito importante para mim..
ninguém pergunta "porque razão não a cortas?"... o mais certo é dar uma resposta evasiva, pois é algo pessoal...
a seu tempo será cortada... apenas peço compreensão, apenas isso...

quinta-feira, 11 de março de 2010

midnight hour - running away

em junho de 2008 escrevi um dos meus sonhos intitulado salva-me e nele fiz referência a uma música de seu título "running away" e que a tinha ouvido pela primeira vez num episódio de "ghost whisperer".
na altura o nome da banda que a interpretava tinha o nome de "crimson doves", nome dado pela produção à banda de seu nome original "midnight hour" (também cheguei a dizer que tinham o nome de "three days grace", o que não se confirma).
deixo aqui o videoclip com algumas imagens da série, sendo muitas delas do episódio em que entrou a música.
na altura, e como agora, deixo uma mensagem...  salva-me...




Letra

Dont lie and say that it's okay
It's alright if there's nothing more to say

So I'm running away, I'm leaving this place
Yeah... I'm running away, I'm running away

Don't tell me I'm the one to blame
It's too late for you to make me stay. No, I won't stay

So I'm running away, I'm leaving this place,
Yeah... I'm running away, I'm running away

And faster than you can follow me from this lonely place
And farther than you can find me, I'm leaving, yeah... I'm leaving today

I, I'll never let you find me, I'm leaving you behind with the past and No I won't look back
And I don't want to hear your reasons, don't want to hear you tell me why I should stay
Try, try to understand me, try to understand what I say when I say I can't stay
I, I'm moving on from this place, leaving and I won't wait, I'm running away

I'm running away, I'm leaving this place,
Yeah...I'm running away, I'm running away

domingo, 7 de março de 2010

billy joel - honesty

há dias, estava eu a ouvir uma estação de rádio de seu nome m80, quando, no alinhamento surge uma música da minha infância e que há algum tempo não ouvia.
fui logo ao site da rádio e fiquei a saber que se tratava de honesty de billy joel.
depois de ter pesquisado, fiquei a saber que é uma faixa do album 52nd street que, curiosamente foi lançado poucos meses após o meu nascimento...
aqui fica a letra e uma versão de 2006, que não está muito diferente da original, apesar dos anos que já passaram...
espero que gostes.



Letra

If you search for tenderness
it isn't hard to find.
You can have the love you need to live.
But if you look for truthfulness
You might just as well be blind.
It always seems to be so hard to give.

Honesty is such a lonely word.
Everyone is so untrue.
Honesty is hardly ever heard.
And mostly what I need from you.

I can always find someone
to say they sympathize.
If I wear my heart out on my sleeve.
But I don't want some pretty face
to tell me pretty lies.
All I want is someone to believe.

Honesty is such a lonely word.
Everyone is so untrue.
Honesty is hardly ever heard.
And mostly what I need from you.

I can find a lover.
I can find a friend.
I can have security until the bitter end.
Anyone can comfort me
with promises again.
I know, I know.

When I'm deep inside of me
don't be too concerned.
I won't as for nothin' while I'm gone.
But when I want sincerity
tell me where else can I turn.
Because you're the one I depend upon.

Honesty is such a lonely word.
Everyone is so untrue.
Honesty is hardly ever heard.
And mostly what I need from you.

sábado, 30 de janeiro de 2010

mudança no blog

olá
estive a pensar sobre o rumo do blog e cheguei a uma conclusão...
o blog, quando foi criado em junho-2004, foi simplesmente para escrever sobre o meu sonho... sem o intuito de o publicitar mas, com o passar do tempo, dei-o a conhecer a poucas pessoas e, essas poucas pessoas sabem quem sou... e, podem acreditar, tento não passar esta parte íntima no meu dia-a-dia...
sei que existem mais pessoas, além das que conheço, que visitam o blog... e para todos(as) que o fazem, o meu sincero obrigado.
sei que se trata de um blog algo monótono e é isso que pretendo alterar.
a mudança que vou introduzir passa pela criação de etiquetas para que possam acompanhar o tema de post que preferem e darei a conhecer algumas músicas de que gosto e não levo a mal se não gostarem, pois, felizmente, os gostos são diferentes de pessoa para pessoa.
já no passado Outubro, já havia mudado um pouco a "linha" que costumava seguir e dei a conhecer uma música.
além destas mudanças, poderei também escrever sobre outros temas.
com isto, não prometo posts todos os dias, mas tentarei ter o blog mais activo, por mim e por vocês que o acompanham.

peço que comentem os posts, nem que seja para dizer que não foi bom pois são os comentários que fazem com que se melhore.

espero que gostem das mudanças!

abreijos

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

passo noites a pensar em ti

vieira de leiria - 28-Janeiro-2010 - 22h15

antes de mais, quero dizer que este post já estava para ser feito há algum tempo mas existem situações na vida que não se podem controlar, evitar e fugir delas. situações que nos deixam tristes, abalados, revoltados... perdas que nos marcam e deixam as suas marcas para todo o resto da vida até ao momento final, ao último sopro...
um dia, quem sabe, sem fazer promessas, dedicarei um post a uma das mulheres da minha vida que nos deixou fisicamente... mas que vela e velará sempre por mim e pela nossa família...

há poucas semanas estive a arrumar uns livros e encontrei algo que escrevi há uns anos atrás. agarrei no papel, dobrei-o e meti-o no bolso das calças e depois o pus na secretária diante de mim... até que hoje o agarrei e o vou transcrever para aqui, tal e qual como na noite em que o escrevi há quase oito anos...

" vieira de leiria - 01-Maio-2002 - 02h14

Todas as noites, deitado na minha cama, penso em ti e no que estarás a pensar. O tempo escoa como areia por entre os dedos, tempo esse que não volta...
já lá vai algum tempo que por ti espero mas sem nada de ti saber. Onde estás?? Por onde andas?? Cada vez mais te quero ver, estar contigo. o meu coração lá vai aquentando, ignorando quase todas as dores, menos uma... o vazio que sente pela tua ausência.
Ontem imaginei-te a andar na borda do mar, fugindo das ondas que teimavam em te molhar. Eu, nada fazia, apenas te observava. Os teus cabelos molhados e com o cheiro da maresia. Os teus olhos reluzentes, resplandeciam os últimos raios de sol reflectidos na imensidão da água salgada.
De repente, senti uma dor, dor essa a de estar novamente a sonhar contigo. Uma vez mais...
Tento esconder o que sinto, mas às vezes é difícil...
Tanto que penso em ti... tantas as vezes que dou por mim a chorar por ti...
É difícil viver assim. Aparece!! Estou à tua espera... "

quase oito anos depois, passo noites a pensar em ti...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

pasión

vieira de leiria, 07-10-2009 - 00h11

um dos meus vícios é a música e, para tal, acompanho a carreira de alguns cantores/grupos através dos álbuns que lançam no mercado.
uma das cantoras que acompanho há alguns anos, é uma das divas da música mundial de seu nome sarah brightman, a qual admiro bastante pois tem uma voz excepcional e que se tornou famosa pela participação no musical "the phantom of the opera". costuma, muitas vezes, associar a sua voz a duetos com cantores de renome desde jose carreras e andrea bocelli até, mais recentemente, chris thompson, alessandro safina e fernando lima.
há dias estava a ouvir o último album de seu nome "symphony - live in viena" e fiquei muito agradado por este seu novo trabalho. a perfeita combinação de banda com orquestra e coro.
de todas as músicas, uma entrou nos meus ouvidos e pouco depois parecia que a conhecia há anos, o que era impossível pois, após pesquisa, fiquei a saber que foi uma música feita há pouco tempo para uma telenovela mexicana.
trata-se de um dueto com fernando lima e o tema é "pasión".

deixo aqui o video



e também a letra

Sueñas con un amor
Puro, sin condición
Fuerte, eterno como el sol
Con el que se dibuja una pasión

Sueñas con un amor
Limpio, con devoción

Libre, sacar las alas del corazón
Y Volar a dónde anida la pasión

Chorus:
La pasión, es como un viento inquieto
Que se convierte en libertad
Es saber que hay alguien más que vive
Deseando poderte encontrar
Es viajar sin miedo entre las estrellas y la inmensidad
Es atravesar el fuego, caminar sobre las aguas
Convertir un sueño en realidad
La pasión es ésa fuerza inmensa
Que mueve a toda la creación
Es saber que alguien te está esperando
Mas allá dónde se oculta el sol
Es borrar por siempre de tí la palabra soledad
Son dos almas que se unen llegando así a la eternidad

Nunca te faltará
Alguien en quien confiar

Un ángel que de la mano te llevará
A descubrir un mundo de pasión

Chorus:
La pasión, es como un viento inquieto
Que se convierte en libertad
Es saber que hay alguien más que vive
Deseando poderte encontrar
Es viajar sin miedo entre las estrellas y la inmensidad
Es atravesar el fuego, caminar sobre las aguas
Convertir un sueño en realidad
La pasión es ésa fuerza inmensa
Que mueve a toda la creación
Es saber que alguien te está esperando
Mas allá dónde se oculta el sol
Es borrar por siempre de tí la palabra soledad
Son dos almas que se unen llegando así a la eternidad

Vives con un amor
Fuerte, sin condición

Libre, sacar las alas del corazón
Y Volar a dónde anida la pasión

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

o que eu te quero dizer

vieira de leiria, 07-09-2009 - 01h26

já passam mais de quatro meses desde o meu último post mas o blog nunca está esquecido.
todos os dias venho a adiar, o que me custa fazê-lo...
sei que o que escrevo é quase cem por cento sobre o mesmo e isso cria alguma monotonia ao blog mas quando criei o blog foi com a intenção de desabafar sobre o que me faz sonhar dia após dia...
sei que um dia esse sonho tornar-se-á realidade e aí, apenas com consentimento, publicarei o viver o sonho em toda a sua plenitude.
até lá, o sonho continua vivo!
quem me conhece sabe que não vivo sem música e, apesar de inúmeras músicas que possuo, tenho uma espécie de "best of" que vai aumentando sempre que posso.
nessa lista posso encontrar desde dance, trance, pop, rock, pimba, fado até mesmo brasileiras (poucas!) que ouço sempre que posso e é adequada ao estado de espírito que tenha no momento...
há pouco estava a ouvir uma de seu nome "O Que Eu Te Quero Dizer" dos Pólo Norte e pensei para mim mesmo" ganha vergonha e vai escrever alguma coisa, nem que seja o que te vier à telha... e aqui estou...
no final deste post fica a letra da música que estava a ouvir na altura, que entretanto já passou por Metallica com "Sad But True" e neste momento se faz ouvir Marie-Élaine Thibert em "Pour Cet Amour"...
já por várias vezes pensei em escrever algo diferente da "linha" que sigo e criar um novo blog com essa variante, mas depois passa a ter as pausas que este costuma ter ou maiores, por isso gostaria de ter a tua opinião sobre ter as duas "linhas" neste blog.
para isso conto com a opinião de quem lê este blog sobre o que devo fazer...

conto convosco!

aqui fica a letra da música "O Que Eu Te Quero Dizer" dos Pólo Norte dedicada àquela que me aparece nos sonhos e faz com que tudo pareça simples...


Quero-te revelar
O meu maior segredo
Sempre te quis amar
Mas tive sempre medo
De me aproximar
Dizer-te aquilo que pensava

Ouço a tua voz
Vinda lá do fundo
Se ficarmos sós
Neste nosso mundo
E agora sei, que o amor
É tudo ou nada

Diz-me que vale a pena
Alma que me condena
Diz-me que vale a pena
Dizer-te o que eu te quero dizer

E o meu coração
Vive num dilema
Será que este amor
Vale mesmo a pena
Ou será melhor
Deixar tudo assim à margem

E a palavra amor
Que nós já gastámos
Fica sempre a dor
Se assim ficarmos
Deste nosso amor
Resta só a tua imagem

segunda-feira, 20 de abril de 2009

parabéns

vieira de leiria, 20-04-2009 - 01h18

antes de mais, uma pequena observação. ao escrever "o meu farol" tornou-se a primeira vez que escrevi no mês de abril em quase cinco anos de blogger.
o dia de hoje, segundo algumas pessoas, é um dia importante para o corpo que ocupo pois faz anos que nasceu neste mundo imperfeito.
este corpo, tal como todos os outros, que alguns apesar de não se acharem assim, também tem algumas imperfeições.
ao ler isto deves estar a achar estranho e a perguntares a ti mesmo "como é que este gajo pode dizer isto dele próprio"...
pois muito bem, eu passo a explicar.
eu sou o pensamento deste corpo, mas não o pensamento que as pessoas conhecem por conviver com ele. o pensamento que as pessoas conhecem é aquele de alguém que gosta de rir, brincar com as situações, dar um terceiro ou quarto sentido a frases que se dizem ou ouvem e muitas outras qualidades e defeitos como todos os corpos.
sou o pensamento que o meu corpo não mostra, que é íntimo, que se esconde por detrás das palavras escritas. o pensamento dos sentimentos que gostava que o corpo mostrasse.
é uma maneira de auto-defesa que foi criado há alguns anos atrás.
tal como todos os corpos, também o meu ama. mas ao amar tem receio de, ao contar à pessoa que ama aquilo que o pensamento escreve, não ser correspondido e estragar a relação de amizade que possa haver. o meu corpo não gosta de ver a pessoa que ama, sofrer pois sofre também. sente aquela dor dilacerante no peito que impede respirar e faz ficar a pensar porque o fez...
há quem chame "cromice" a isso e eu estou plenamente de acordo, este corpo é mesmo um daqueles cromos muito raros que faz com que se comprem muitas saquetas na vã esperança de um dia calharem. o problema é que esses cromos não são feitos, é uma estratégia de marketing...
mas voltando ao dia de hoje, o que o meu corpo vê ao espelho não corresponde ao que o outro pensamento dele, o que as pessoas conhecem, conhece. um dia poderá vir a corresponder mas para isso será preciso muita força de vontade e principalmente de incentivo.
quem sabe se ao chegar esse dia, não serei eu o pensamento dominante deste corpo? assim o espero, eheh...
bem, só me resta desejar um bom dia ao meu corpo. que seja um dia que ele esteja com as pessoas que gosta e que as pessoas que dele gostem se lembrem deste dia e mandem uma mensagem nem que seja apenas a dizer "parabéns cromo".
espero que para o ano cá estejamos novamente mas que seja um post diferente. menos confuso para ti pois acredito que deves ter parado algumas vezes para reler e perceber...
apenas algo que quero esclarecer, quando escrevo todas as letras deste blog, são todas profundamente sentidas tanto por mim como pelo meu corpo, com a diferença do corpo não o demonstrar...
parabéns corpo!!!

e como se costuma dizer "não duas sem três", pode ser que ainda surja um terceiro post este mês. depende da disponibilidade do meu corpo...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

o meu farol

vieira de leiria, 06-04-2009 - 01:10

durante meses sonhei com o momento em que, finalmente, poderia navegar pelo mar fora, sentido as suas ondas contra o meu novo casco pintado de vermelho e protegido por uma nova marca de verniz.
ao fim de tanto tempo parado no estaleiro, este era o primeiro dia da minha nova vida...

em tempos naveguei dias a fio pelo mar calmo que, por vezes, se tornava tempestuoso e sempre voltava ao cais são e salvo.
certo dia deparei-me com uma enorme tempestade, a maior que algum dia me surgira.
enfrentei-a com todas as forças que tinha mas, após tantas tempestades enfrentadas, a minha estrutura estava enfraquecida e não aguentei. fui despedaçado pelas fortes ondas que a tempestade trouxe consigo. lutei com bravura mas no final perdi partes do meu casco e quase naufraguei.
consegui chegar à costa com muitos ferimentos e não julgavam que conseguiria voltar a navegar.
durante meses estive em terra firme ora a ser reparado ora à espera de material para usarem em mim. foi uma fase menos boa da minha vida mas sabia que um dia voltaria a navegar e sentir aquele cheiro a sal, ver as gaivotas a tentar chegar ao peixe dos barcos de pesca. simplesmente a viver.
até que finalmente esse dia chegou e estava radiante e nervoso por voltar a ser quem era.
vieram algumas pessoas ver como eu tinha ficado lindo com a minha cor vermelha e brilhante ao sol devido ao verniz. este verniz tinha um cheiro diferente do anterior mas o que importava era que me tinha de habituar a ele pois sabia que me ia proteger a cor.
estava tão contente que nem me apercebi que tinha chegado a hora de voltar à agua. finalmente!
desci lentamente por um caminho feito com rolos de madeira até que... entrei imperial na água salgada que banhava o estaleiro. que sensação tão boa. sei com toda a certeza que se tivesse olhos eles verteriam lágrimas de contentamento.
como sabia bem a água a bater contra o meu casco novamente, que sensação imensurável de liberdade.
fui logo para o mar, rasgando as suas ondas por onde passava. que saudades tinha destes momentos que tão bem conhecia. voltei a ver as bandos de gaivotas, cardumes de peixes que tentavam fugir das redes de pesca, a ver o brilho do sol na água salgada. estava novamente vivo.
passaram horas sem que eu desse por elas passarem até que ficou tudo escuro pela noite à minha volta. apercebi-me que estava sozinho. um ponto de luz no meio do mar. liguei o meu radar e tentei procurar o rumo para o cais.
de repente surgiram algumas ondas mais altas e o vento soprava com mais força até que a tempestade chegou até mim com tanta força que quase me virava por algumas vezes.
lutei uma vez mais com todas as forças que tinha mas a tempestade era muito forte. comecei a sentir as forças a fraquejar e a abandonarem-me até que, vi ao longe o que me parecia ser o piscar de uma luz. instantes depois voltei a ver a mesma luz que piscava. só podia ser um farol, tinha de ser um farol.
tinha de chegar até ele mas para isso tinha que lutar, tinha de conseguir as forças que me estavam a faltar. e foi o que fiz, voltei a lutar contra a tempestade e naveguei em direcção à luz que vinha do farol.
finalmente consegui chegar ao cais são e salvo graças à luz do farol. fiquei radiante por estar novamente seguro e principalmente por ter sido com a ajuda daquele que viria a ser o meu farol.

tal como os barcos enfrentam as tempestades e são ajudados pelos faróis a encontrar o caminho até ao cais e portos de abrigo assim são as pessoas. passamos por muitas tempestades nas nossas vidas e, muitas das vezes, quando estamos prestes a desistir surge alguém que nos ajuda, que nos guia a seguir por um caminho diferente.
há casos ainda das pessoas que nos ajudam, não saberem que o estão a fazer e que se tornam importantes para nós.
na minha vida existe um farol desses que, não sabendo, me está a ajudar a seguir por um novo caminho.
o meu farol...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

e tu?

Vieira de Leiria, 14-02-2009 - 04:07

com as mãos nos bolsos vou andando sem rumo pelo passeio da rua deserta. ao longe o sino da igreja faz soar as horas. uma, duas... o denso nevoeiro não me deixa ver a torre da igreja onde está o sino e o relógio. resta-me contar as pancadas que se fazem ouvir. três, quatro... quatro horas da manhã e não se vê ninguém na rua. apenas os carros que passam de vez em quando. as luzes dos candeeiros envoltas no nevoeiro criam um ambiente surreal.
envolto pelo nevoeiro caminho lentamente, bafejando para o ar e sorrindo ao ver a pequena nuvem de ar quente a espalhar-se no frio ar até desaparecer.
chego ao jardim e nele vejo alguns bancos de madeira. sento-me num deles e recosto-me confortavelmente.
fecho os olhos.
mil e uma imagens passam como flashes no meu pensamento. muitas recentes, muitas antigas, muitas de alegria, muitas de tristeza... deixo-me vaguear por todas elas como se não tivesse sido eu a vivê-las.
subitamente ouço um carro que pára e abro os olhos. bate uma porta e as luzes piscam indicando o fecho accionado pelo comando. diante do carro vejo um vulto parado. semicerro os olhos para tentar ver quem me observa.
caminhando a passos largos em minha direcção ouço o meu nome. esta voz... eu conheço esta voz... levanto-me e...
os meus olhos encontram os teus. dos mais lindos senão os mais que possam existir que alguma vez já vira. além de lindos, também doces e profundos.
perguntas se podes sentar a meu lado fazendo um pequeno gesto com a cabeça na direcção do banco, ao qual faço o gesto com a palma da mão indicando onde te podes sentar.
sentados lado a lado ficamos em silêncio por alguns momentos até que tiras a mão do bolso do casaco e procuras a minha no meu bolso entrelaçando os dedos nos meus.
sorrio.
olho para ti e retribuis-me um sorriso.
de um pulo levantas-te para, logo de seguida, te sentares no meu colo de frente para mim. os nossos lábios procuram-se e encontram-se. desde logo procuram conhecer-se melhor e cada vez mais cada milímetro existente. como que por ciúmes, os nossos corpos aproximam-se e são envolvidos pelos braços.
por segundos, minutos, horas ficamos assim... o tempo não importa, tudo o que nos rodeia não nos importa. sejam as situações, sejam as pessoas, sejam os passados. nada nem ninguém se irá intrometer entre nós.
apenas nos termos um ao outro. adormecer abraçados, acordar e sorrirmos ao ver a cara que cada um faz quando acorda.
partilhar sonhos, desilusões, alegrias, tristezas, sucessos, fracassos. mas acima de tudo amar-nos cada vez mais a cada dia que passa.
eu amo-te.
e tu?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

carta ao pai natal

Vieira de Leiria, 19-12-2008 - 03:12

Pai Natal

este ano decidi escrever-te uma carta pela primeira vez na minha vida. não sei se será a única vez que te escrevo mas se voltares a receber outra carta minha é porque voltei a escrever ou simplesmente porque recebeste esta mesma carta por duas vezes.
estou a escrever-te para me explicares algumas dúvidas sobre ti e também para pedir algo.
explica-me porque é que te chamam de Pai Natal se a maioria dos teus fãs são crianças. não te deverias chamar de Avô Natal? está certo que hoje em dia os homens em geral começam a ficar calvos e a ver os cabelos brancos começarem a surgir cada vez mais novos mas daí até ser-se pai numa idade assim tão avançada... deves ser bom para "assar"!!! aproveitaste a fraqueza de alguma "encalhada" que se sentou ao teu colo? malandreco!!
outra dúvida que não me tem saído do pensamento nos últimos dias é a seguinte: como consegues comer seja o que for sem te lambuzar?
pergunto-te isto pois este ano decidi, novamente, vestir-me como tu mas desta vez sem usar as barbas que se vende pelas lojas. são muitos incómodas, quentes, as pessoas não vêem a boca a mexer e, acima de tudo, deixam sempre pêlos na boca. no fim de as usar, passo uns bons cinco a dez minutos a tirar os pêlos.
para evitar isso deixei de cortar a barba no início de outubro, ou seja, quase três meses antes do dia que roubaste para ti.
como deves calcular, estão algo compridas mas nada que se compare com as tuas barbas.
pois bem, para beber seja o que for de um copo, o bigode fica quase de molho e quando como... aí, é a carga de trabalhos. tenho de esticar as pontas do bigode, uma para cada lado, e tentar não o lambuzar. o que me safa é que apenas como sopa em casa e, por norma, evito os molhos, senão estava ainda mais tramado...
cá para mim, ou atas o bigode e puxa-lo para cima do nariz ou pões uma embalagem de gel para ele ficar bem longe da boca.
já me disseram que és do partido comunista mas descartei logo essa firmação. não és de partido algum pois deixas qualquer pessoa sentar-se ao teu colo seja bom ou mau "partido".
e o vestires maioritariamente de vermelho? também me disseram que era por causa da coca-cola. devem ser tretas!! com a tua idade... só podes ser do nosso benfica da altura em que vias os jogos todos da década de cinquenta e sessenta porque nos últimos anos... apenas se safam os sete a um contra o leça há uns onze anos e as seis secas ao marítimo a semana passada.
e já agora... o "barbas", grande adepto do benfica é o teu fã número um? ou é teu filho e saiu mesmo ao pai?
acho que são estas as dúvidas... mas depois se me lembrar de mais alguma pergunto-te depois... ou não...
agora o pedido... como já vi tantas crianças a escrever-te cartas todos os anos e a receber algumas das prendas que pedem (espero que não tenhas desviado o guito do BPN e do banco privado porque senão tens de dividir comigo, caso contrário denuncio-te) resolvi por os dedos a escrever esta carta e aproveitar para os aquecer pois na rua estavam dois graus de temperatura.
pois muito bem pai ou avô natal, como preferires... o que te peço é algo carnal!!! e não comeces a por essa mente perversa a funcionar!!
trata-se de uma mulher que tenho andado a observar (não!! não sou nenhum voyeur) e de quem estou a gostar. não vou pedir para a pores no meu sapato, apesar de ser o quarenta e cinco e ela não caber lá mas sim que deixes cair sobre nós um pouco daquele pó mágico do natal que tanto se fala.
como vês, não é nada do outro mundo que te peço e é bem mais fácil do que transportares play-stations e barbies pelo mundo inteiro, explorando a força das tuas renas a puxar, não só o teu peso bem como sacos carregados de prendas para crianças que apenas se portam bem quando os pais dizem que os estás a ver.
por falar em renas, lembrei-me de outra dúvida. o rudolfo é mesmo... como hei-de dizer... ok, já sei... filho do batatoon? é que o nariz deles... são mesmo parecidos. não me digas que pensaste que ia perguntar se o rudolfo era paneleiro? não tenho nada a ver com isso... desde que não se chegue muito perto de mim...
mas voltando ao pedido... vê se consegues fazer alguma coisa pelo que te pedi. não sei se ela já reparou em mim mas se já o fez... fico contente mas ficava mais se ela o mostrasse...
bem, já tenho os dedos a escaldar e as letras do teclado a agarrarem-se a eles...
espero que não uses esta carta para acender a fogueira antes de a leres. depois de leres e me dares a prenda que te peço, se a merecer... podes moldurá-la e pô-la no corredor da tua casa ou simplesmente reciclá-la.

um abraço!!!

francisco

ps (não do partido mas sim do post scriptum) - sabes que não é o meu nome verdadeiro mas sabes quem eu sou...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

a queda...

Vieira de Leiria, 11-11-2008 - 00:55

a queda...
enquanto vou andando lentamente pelo passeio, o meu pensamento vai divagando longe do meu corpo... uma vez mais lembro o brilho dos teus olhos, o doce dos teus lábios, a alegria do teu rosto, o porto de abrigo do teu corpo...
salto por cima de um pequeno muro e caminho por entre a relva que percorre todo o chão que atravesso... paro e sento-me num banco de madeira, pondo as pernas esticadas no assento e as mãos nos bolsos do blusão... o frio, esse que tantas pessoas odeiam, fica a rodear-me juntamente com o vento gelado que insiste em mandar-me embora...
a queda...
fecho os olhos e deixo o vento soprar nos meus cabelos querendo levá-los com ele...
a escassos metros há minha frente começa uma falésia que termina abruptamente no mar imenso que se estende até se perder de vista...
fico a escutar o som das ondas a embater nas rochas uma e outra vez... e outra vez sem cessar, sem se cansar uma única vez em toda a sua existência...
penso em ti uma vez mais... já deixei de contar as vezes que em ti penso por cada dia que passa... de querer trazer-te a este pequeno mundo onde me deixo perder... perder apenas por ti...
a queda...
as forças de te encontrar vão-me abandonando a cada dia que passa... cada vez mais anseio o fim deste tormentoso deserto...
abro os olhos e sorrio... vejo que o sol terminou a sua descida no horizonte... levanto-me e caminho em direcção à falésia parando a pouca distância da sua descida final... levanto os braços e fecho novamente os olhos... deixo-me cair...
perco a noção do tempo que demoro a cair... o vento sopra contra mim querendo-me embalar para que não sinta a dor do impacto... até que... o corpo acaba a sua descida e embate contra o chão... não se sente dor... não se sente tristeza nem alegria... não se sorri nem se chora... apenas não se sente seja o que for que existisse antes... e será que continua a existir?
a queda...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

desabafos

Vieira de Leiria, 28-10-2008 - 00:48

mais uma noite em frente ao computador enquanto o resto da família dorme nas suas camas.
lá fora o vento sopra parecendo assobiar quando bate nas paredes e fazendo remoinho, recordando-me de quando era garoto e ia cedo para o infantário e, anos mais tarde, vagueando pelas ruas de mãos nos bolsos do blusão, andando lentamente pelas mesmas ruas vezes sem conta, quase conhecendo cada pedra dos passeios e sentindo o vento a bater-me no rosto. uma e outra vez.
sento-me na minha cadeira e abro um novo documento do “word” e preparo-me para escrever este mesmo desabafo sem saber, pela primeira vez, qual o título a dar. nunca antes me tinha acontecido.
mil e uma ideias passam-me pela cabeça, mil e uma ideias desaparecem quase sem deixar rasto. tantas vezes que os pensamentos de como escrever me surgem e porque na altura não posso escrever simplesmente desaparecem.
escolho algumas músicas e ponho a tocar a primeira da lista. um dueto de laura pausini e hélène ségara de seu título “on n'oublie jamais rien on vit avec”.
à medida que vou escrevendo, a música sobrepõe-se ao som do vento que sopra cada vez mais intensamente.
os dias vão passando um após o outro. as noites vão passando uma após a outra e apenas de tempos a tempos é que damos por isso. quando, por algum motivo, olhamos para trás no tempo e vimos que apenas já não somos a criança que ia para o infantário. o jovem que corria atrás da bola de futebol a toda a hora. o homem que se levantava de manhã para ir trabalhar e que sorria quando via o extracto bancário e via o seu ordenado na conta. o mesmo homem que sonha em ser feliz ao lado de quem ama, sentindo-se amado.
paro de escrever e fecho os olhos. um rosto familiar surge diante de mim.
sorrio.
voltaste a aparecer no meu pensamento.
com os teus braços envolves-me e sinto o teu calor em mim. o teu cheiro, o teu sorriso, o teu amor, a tua respiração, o teu gosto. apenas como te conheço todos estes anos.
ao longe ouço agora david fonseca e ana rita com a música “hold still II”. sorris para mim e sinto novamente o teu gosto que me faz esquecer tudo o que existe no mundo. o que tenho, o que não tenho, o que gostava de ter, o que sei que nunca terei.
abro os olhos e vejo o monitor do computador com estas palavras escritas.
tudo o que passei ninguém sabe o que me custou. tudo o que estou a passar ninguém sabe o que me está a custar, a suportar. apenas dizem que não é fácil e ignoram ou preferem ignorar o que sinto.
quando digo que apenas me deito por volta das cinco da manhã apenas respondem que é porque posso. quando digo que me levanto por volta das onze da manhã apenas respondem que também gostariam. quando pergunto se querem trocar comigo apenas respondem que não e simplesmente morre o assunto ali mesmo sem direito a um ramo de flores.
não são estas as pessoas que, por mais que julguem que sim, se importam e que me querem ver bem, pois tenho algumas dúvidas que o queiram, que me fazem lutar dia após dia.
a música termina e na rua o vento sopra com força.
a música seguinte é a “the saddest song” da annie lennox.
fecho os olhos novamente e recordo-me do rosto que me tem acompanhado todos estes anos. ano após ano, mês após mês, semana após semana, dia após dia, hora após hora, minuto após minuto, segundo após segundo.
apenas a pessoa que me ama.
apenas a pessoa que amo.
abro novamente os olhos.
leio tudo o que acabo de escrever e sorrio. pela primeira que não uso reticências no que escrevo.
apenas porque são desabafos.

domingo, 5 de outubro de 2008

estarás aí?

Vieira de Leiria, 07-09-2008 - 01:10

estarás aí?
entro no carro e preparo-me para uma nova viagem ao velho destino que nos últimos anos tem sido o meu local de reflexão... quem sabe para te encontrar...
ao chegar à entrada da localidade contorno a rotunda e saio para a avenida que me leva direito ao meu destino... vinte metros à minha frente, um outro carro entra na estrada na faixa onde me encontro, o que me faz mudar para a faixa da esquerda para puder ultrapassar...
poucos metros antes de ultrapassar o carro, o condutor do mesmo vira para a faixa onde me encontro para fazer inversão de marcha...
travo... travo mais... e mais... rodo o volante para a esquerda... subo o lancil do separador central... e...
estarás aí?
suspenso no tempo, sinto-me sair e pairar sobre o que está para acontecer... será que...?
onde estás? onde está o teu sorriso com o qual sonho noite após noite... os sonhos que me atormentam noites sem cessar que parecem ser uma vida paralela enquanto durmo...
sonhos em que somos felizes... em que rimos... amamos... sofremos... apenas, vivemos...
sonhos em que nada nem ninguém se mete entre nós, entre os nossos sentimentos...
sonhos em que nos complementamos cada vez mais a cada dia que passa...
sonhos em que nos conhecemos... que nos revelamos... que nos aproximamos...
sonhos em que...
estarás aí?
volto novamente para o carro...
o som do ABS torna-se cada vez mais nítido... até que...
o som abafado que se faz ouvir...
o movimento do corpo se faz sentir ao ser projectado para a frente logo parado pelo cinto de segurança...
o calor terrivelmente quente que invade o corpo repentinamente...
a sensação de impotência por tudo o que se tentou fazer para evitar o inevitável...
o choque de saber que os carros bateram...
o ligar os piscas de perigo...
o sair do carro com as forças a faltarem no corpo para ir ver os estragos...
os palavrões ditos como forma de "alívio"... de descompressão...
o vestir do colete reflector...
o colocar do triângulo de perigo na estrada...
os telefonemas...
a longa espera de vinte minutos pela polícia...
as medições para o croqui da polícia...
os testes de alcoolémia...
o preenchimento de toda a papelada do auto...
estarás aí?
sem forças para seguir em frente, volto para casa...
hoje que tinha novamente esperança de te encontrar no meu local "sagrado"...
esperança de tornar os meus sonhos em pura realidade... realidade essa que torna a ficar adiada...
as palavras que continuam por dizer... momentos por partilhar...
apesar de tudo sei que o nosso momento ainda está para acontecer mas... será que ainda...
estarás aí?

domingo, 20 de julho de 2008

e depois...

Vieira de Leiria, 20-07-2008 - 02:20

e depois...
depois... dois curtos e longos meses...

Vieira de Leiria, 20-05-2008 - por volta da 1h00

e depois…
olhas para mim e perguntas “queres boleia?”…
num momento irreflectido respondo “obrigado… vou a pé…”

Actualidade

e depois...
saio pela mesma porta e paro no mesmo sítio no qual parei à dois meses e olho na mesma direcção... no meu inconsciente vejo-te no mesmo lugar a fazer a mesma pergunta...
sem aviso, sinto-me invadido por uma onda de decepção que me atinge ferozmente o peito... não consigo respirar, não me consigo mexer, não consigo falar...
por instantes permaneço imóvel desejando que o tempo recuasse e me trouxesse esse momento das nossas vidas... mas não volta... os momentos nunca se repetem... por muito semelhantes que pareçam nunca serão iguais...
e depois...
uma vez mais, percorro as ruas sem rumo... sem saber por onde andar... a vida continua dois meses depois daquela noite que não me sai do pensamento, que me atormenta dia após dia sem cessar... como seria o dia depois dessa noite? e o dia seguinte? e todos os outros que se seguiriam depois? não sei...
porque optei pela resposta errada querendo depois remediar o erro?...
como desejo que a história parasse nesse momento, apagar e reescrever as palavras ditas... como continuo a desejar o mesmo depois destes dois meses...
e depois...
a suave e fresca brisa da noite de Verão sopra no meu rosto enquanto me aproximo do banco do jardim e me sento numa das extremidades...
olho em redor e nada se mexe... apenas eu neste pequeno mundo que me rodeia...
recosto-me e fecho os olhos...
como num estalar de dedos, vejo-te no mesmo sítio como há dois meses atrás a fazeres a mesma pergunta...
uma onda de alegria invade todo o meu coração... abro a boca para te responder...
e depois...
abro os olhos... olho em redor... novamente no banco de jardim...
dois meses se passaram e continuo a ser atormentado por aquele momento...
este momento que não me larga o pensamento fazendo-me recordá-lo dia após dia, ferindo-me a alma sempre que nele penso...
que fazer?... que dizer?... que pensar?...
apenas sei que nada será igual ao que foi até hoje...
e depois...

domingo, 15 de junho de 2008

quatro anos

Vieira de Leiria, 15-06-2008 - 03h15

quatro anos...
48 meses...
1461 dias...
35.064 horas...
2.103.840 minutos...
126.230.400 segundos...
este é o balanço de todo o tempo que partilho parte do meu pensamento escrito em 27 posts...
quatro anos...
parece que foi ontem que surgiu o nome Francisco mas foi por volta de Janeiro de 2000 que me dei a conhecer a um grupo restrito de pessoas.
durante quatro anos estive escondido... isolado de tudo e de todos... reprimindo os meus sentimentos... até que há quatro anos decidi arriscar e dar-me a conhecer lentamente a poucas pessoas e também a ser descoberto por algumas...
é a opinião dessas pessoas que me fazem continuar e tentar melhorar sempre...
acredito que um dia acontecerá algo semelhante ao que escrevo e é esse sonho e essas pessoas que me fazem continuar a sonhar o meu sonho dia após dia, momento após momento... sonho esse que está adormecido pelos anos, embalado pelo tempo...

já dizia o poeta António Gedeão que...

"Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança."

Pedra Filosofal, in Movimento Perpétuo, 1956

um simples sonho é tudo isto e algo mais que varia de pessoa para pessoa, sejam quais forem as suas ideologias, crenças...

nunca desistam dos vossos sonhos e...
Sorriam para a Vida para que a Vida vos Sorria!!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

salva-me...

Vieira de Leiria, 12-06-2008 - 03h41

salva-me…
uma vez mais, paro o carro no meu lugar preferido e desligo o motor… deixo-me ficar sentado a observar o manto escuro que cobre a praia deserta nesta quente noite de final de primavera… com a ponta do dedo indicador, percorro as várias estações de rádio memorizadas no auto-rádio em busca de algo que me faça viajar no espaço e no tempo mesmo que para tal apenas precise de fechar os olhos… após uma fugaz procura, desisto e ligo o leitor de mp3 pois sei haver aquela música que te quero dar a conhecer um dia…
eis que a consigo encontrar e a ponho a tocar… “crimson doves - runing away”…
fecho os olhos e deixo-me levar pelo ritmo suave da parte inicial da música que ouvi pela primeira na série “ghost whisperer” (na realidade este tema é interpretado por “three days grace” e também por “midnight hour”)…
salva-me…
sinto-me despegar do meu corpo e afastar do sítio onde estou…
perco-me pelas ruas na esperança de te encontrar perdida à minha procura quando de repente paro e escuto o silêncio em busca do doce da tua voz chamando pelo meu nome… em vão… novamente uma vez mais enganado pelo pensamento de te encontrar na tua procura por mim…
procura que se tornou em rotina constante ao longo dos últimos anos das nossas vidas…
de repente, vejo alguém caminhando pela areia molhada que me prende o olhar por largos instantes e que, com medo de ser uma partida dos meus olhos, evito pestanejar até que… o faço e continuo a ver alguém que parece ser… tu…
o coração acelera no seu constante movimento querendo agora saltar do seu reservado espaço…
sinto-me a desaparecer até que… abro os olhos de repente e vejo que estou novamente no carro mas agora a fazer-se ouvir a música “roxette - anyone i love how you love me” (do álbum “The RoxBox 86-06”, trata-se de uma adaptação da música “roxette - anyone” e de “the paris sisters - i love how you love me” de 1961)
saio do carro e corro para o sítio onde te vi há instantes atrás mas, ao chegar, vejo que foi em vão… novamente em vão…
deixo-me cair sobre os joelhos e sento-me sobre as pernas deixando-me assim ficar por instantes até que a dor se apodera de mim… fecho os olhos e as lágrimas desprendem-se e caem abruptamente pelo meu rosto até se desprenderem e se perderem para sempre na areia...
salva-me…
deixo-me assim ficar até que ouço o doce e suave da tua voz…
abro os olhos e vejo-te diante de mim… serás real??
o teu corpo diante do meu… os teus olhos lindos olhando para mim em sintonia com o teu sorriso ambos cobertos de vez em quando pelos teus cabelos…
lentamente afasto uma mecha de cabelo que teimou em ficar entre nós e deixo ficar a minha mão no teu rosto, na qual decides repousar a tua cabeça por breves instantes antes de nos aproximar-mos…
os nossos lábios humedecidos pela maresia encontram-se, pondo fim a tantos anos de espera mútua…
salva-me…