terça-feira, 28 de outubro de 2008

desabafos

Vieira de Leiria, 28-10-2008 - 00:48

mais uma noite em frente ao computador enquanto o resto da família dorme nas suas camas.
lá fora o vento sopra parecendo assobiar quando bate nas paredes e fazendo remoinho, recordando-me de quando era garoto e ia cedo para o infantário e, anos mais tarde, vagueando pelas ruas de mãos nos bolsos do blusão, andando lentamente pelas mesmas ruas vezes sem conta, quase conhecendo cada pedra dos passeios e sentindo o vento a bater-me no rosto. uma e outra vez.
sento-me na minha cadeira e abro um novo documento do “word” e preparo-me para escrever este mesmo desabafo sem saber, pela primeira vez, qual o título a dar. nunca antes me tinha acontecido.
mil e uma ideias passam-me pela cabeça, mil e uma ideias desaparecem quase sem deixar rasto. tantas vezes que os pensamentos de como escrever me surgem e porque na altura não posso escrever simplesmente desaparecem.
escolho algumas músicas e ponho a tocar a primeira da lista. um dueto de laura pausini e hélène ségara de seu título “on n'oublie jamais rien on vit avec”.
à medida que vou escrevendo, a música sobrepõe-se ao som do vento que sopra cada vez mais intensamente.
os dias vão passando um após o outro. as noites vão passando uma após a outra e apenas de tempos a tempos é que damos por isso. quando, por algum motivo, olhamos para trás no tempo e vimos que apenas já não somos a criança que ia para o infantário. o jovem que corria atrás da bola de futebol a toda a hora. o homem que se levantava de manhã para ir trabalhar e que sorria quando via o extracto bancário e via o seu ordenado na conta. o mesmo homem que sonha em ser feliz ao lado de quem ama, sentindo-se amado.
paro de escrever e fecho os olhos. um rosto familiar surge diante de mim.
sorrio.
voltaste a aparecer no meu pensamento.
com os teus braços envolves-me e sinto o teu calor em mim. o teu cheiro, o teu sorriso, o teu amor, a tua respiração, o teu gosto. apenas como te conheço todos estes anos.
ao longe ouço agora david fonseca e ana rita com a música “hold still II”. sorris para mim e sinto novamente o teu gosto que me faz esquecer tudo o que existe no mundo. o que tenho, o que não tenho, o que gostava de ter, o que sei que nunca terei.
abro os olhos e vejo o monitor do computador com estas palavras escritas.
tudo o que passei ninguém sabe o que me custou. tudo o que estou a passar ninguém sabe o que me está a custar, a suportar. apenas dizem que não é fácil e ignoram ou preferem ignorar o que sinto.
quando digo que apenas me deito por volta das cinco da manhã apenas respondem que é porque posso. quando digo que me levanto por volta das onze da manhã apenas respondem que também gostariam. quando pergunto se querem trocar comigo apenas respondem que não e simplesmente morre o assunto ali mesmo sem direito a um ramo de flores.
não são estas as pessoas que, por mais que julguem que sim, se importam e que me querem ver bem, pois tenho algumas dúvidas que o queiram, que me fazem lutar dia após dia.
a música termina e na rua o vento sopra com força.
a música seguinte é a “the saddest song” da annie lennox.
fecho os olhos novamente e recordo-me do rosto que me tem acompanhado todos estes anos. ano após ano, mês após mês, semana após semana, dia após dia, hora após hora, minuto após minuto, segundo após segundo.
apenas a pessoa que me ama.
apenas a pessoa que amo.
abro novamente os olhos.
leio tudo o que acabo de escrever e sorrio. pela primeira que não uso reticências no que escrevo.
apenas porque são desabafos.

2 comentários:

Anónimo disse...

olá 'francisco'..eu continuo a ler o teu blog, continua nos meus favoritos..
Muitas vezes não sei o que comentar, e então acabo por ler e fazer como antigamente, apenas ler.

Quanto ao teu post, é bom porque transmite sentimento, mas devias ultrapassar o que tas a passar, que não sei o k é..mas não podes continuar a viver completamente no passado.. tens de carregar no stop e regressar ao presente.

Abraço Lucy

Nataxxa disse...

"apenas dizem que não é fácil e ignoram ou preferem ignorar o que sinto.
quando digo que apenas me deito por volta das cinco da manhã apenas respondem que é porque posso. quando digo que me levanto por volta das onze da manhã apenas respondem que também gostariam. quando pergunto se querem trocar comigo apenas respondem que não e simplesmente morre o assunto ali mesmo sem direito a um ramo de flores.
não são estas as pessoas que, por mais que julguem que sim, se importam e que me querem ver bem, pois tenho algumas dúvidas que o queiram, que me fazem lutar dia após dia."

Depois do comentário que vou fazer, não vale a pena dizer: "se te serviu a carapuça...". Sei bem o que digo, admito que o faço e não me arrependo.

Se é isso que pensas, quem sou eu para dizer que não. Apenas digo que no que diz respeito a mim, estás enganado e se me conheces, já devias saber que me preocupo contigo. Se não o sabes, se calhar não me conheces.

Se calhar, importam-se mais contigo quem diz estas frases do que a pessoa que amas, uma vez que ela nem sabe sequer que esse sentimento existe. Não duvido que se importasse depois de ter conhecimento, mas não agora. Enquanto ela não souber, enquanto não lhe disseres, vais viver sempre na expectativa, no sonho do que poderá ser ou do que poderia ter sido.

Não podes contornar/controlar todos os pontos da tua vida, mas os que podes, contorna/controla.

Portanto, não digas que os outros não se importam contigo, quando tu mesmo não importas.

Beijo,
Teresa.