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terça-feira, 19 de outubro de 2010

se essa rua fosse minha

dedicado a uma das mulheres da minha vida

se essa rua fosse minha...

todos nós temos uma rua e eu não sou uma excepção.
apesar de viver numa travessa, quando falo da estrada diante da casa onde moro desde sempre, refiro-me sempre "à minha rua" mas, no entanto, não é minha na realidade.
foi nela que, muitos anos antes de ser alcatroada, joguei à bola até às tantas da noite e esfarrapei os joelhos vezes sem conta, corri ao lado de pneus velhos, aprendi a andar de bicicleta, saltava para as poças de água quando chovia e onde aprendi o mais básico de conduzir um carro entre tantas e tantas aventuras e desventuras que vivi diante da minha casa e das dos vizinhos.

...eu mandava ladrilhar...

nem sempre a "minha rua" foi como hoje se vê. no tempo dos meus bisavós e dos seus antepassados era um estreito caminho por onde passavam as vacas a puxar os seus carros vindos do trabalho no campo. mais tarde, no tempo dos meus avós e mãe, esse caminho deu lugar a algo mais largo coberto por caruma para as pessoas passarem e, há trinta anos atrás, transformou-se numa estrada de saibro que enchia tudo de pó no Verão e de lama e buracos no Inverno e assim ficou durante os vinte anos que se seguiram, altura em que foi alcatroada mas sem direito a passeios... até há dois anos em que me chateei e fiz ultimatos à câmara municipal e lá fizeram os passeios.

...com pedrinhas de brilhantes...

os passeios foram feitos e o estreito caminho que fora antigamente estava irreconhecível para quem se lembrava dele.
tu lembravas... e acompanhaste todas as mudanças que foram feitas ao longo dos anos e por isso mesmo, de vez em quando, vinhas ao portão do jardim espreitar o avanço da construção dos passeios.

...só pró meu amor passar!!

no final do primeiro dia, já havia bastante passeio feito em frente do que outrora fora a tua casa durante anos e que havia sido destruída pouco mais de um mês antes.
foste a primeira pessoa a usa-lo e isso deixou-me tão contente pois foi o teu desejo durante alguns anos e do qual apenas aproveitaste pouco mais de um mês...

19-Outubro-2009 - 17h20

existem datas que nos marcam e esta é uma delas...
este é o momento que recebo uma chamada no telefone... a pior notícia de toda a minha vida...
nunca mais veria o teu sorriso... nunca mais sentiria o teu abraço... as nossas brincadeiras... os teus ensinamentos...

raiva... desespero... vazio...

hoje, um ano depois, apesar de sentir a tua presença, sinto a tua falta...

ouço a última música que te fez cantar...

se essa rua fosse minha
eu mandava ladrilhar
com pedrinhas de brilhantes
só pró meu amor passar


até logo, avó...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Para Ti, Sib

Praia da Vieira, 29-01-2006 - 02h53

subo as escadas que me levam ao terraço da casa e sento-me no último degrau... ajeito a roupa e ponho as mãos nos bolsos... fecho os olhos... sinto o vento fresco que sopra, batendo-me no rosto... lentamente começo a recordar momentos da minha vida... até que me recordo de ti... de como nos conhecemos... sorrio... nunca antes tinha abordado alguém daquela maneira tão directa...
horas, tantas horas de conversa... horas de sono perdidas e ao mesmo tempo ganhas... a mistura de fortes sentimentos, o apoio nas horas difíceis... tudo isto sem nunca nos termos visto... frente a frente... algo que, quase quatro anos depois, ainda não aconteceu... e acontecer para quê? momentos mágicos não se alteram...
encosto-me há parede e continuo a saborear este momento...
recordo-me de vaguear pelas ruas a pensar em ti... no passo que querias que déssemos... eram tantos os sentimentos... sei que durou uma semana, um das melhores de sempre... uma semana que me mudou para sempre... ter alguém que pensa em nós, que o mostra, que conta o tempo que falta até estarmos juntos... algo pelo qual nunca tinha passado... que nunca mais senti... de que tenho saudades...
sinto uma pequena lágrima que desliza pelo rosto caminhando para o seu fim no seco dos meus lábios arrefecidos pelo vento...
ficou a amizade... que, ora é mais intensa ora arrefece, mas que não acaba... sorrio...
o tempo passa depressa, mas continuarás sempre comigo... no teu lugar especial...
sê sempre como naquela noite de verão... sê sempre tu mesma e sorri!!