Vieira de Leiria, 02-03-2008 - 03h38
depois de estacionar o carro no lugar do costume, rodo a chave para o desligar… descalço os sapatos e tiro também as meias, enrolando-as sobre si pondo-as de seguida dentro dos respectivos sapatos… dobro as calças até perto do joelho e saio do carro, fechando-o…
encaminho-me para as escadas que me levam ao meu destino… enquanto ando, olho para a mão e sorrio… lembro o porquê de estar a levar uma rosa… uma bela rosa vermelha…
acordo de manhã e lembro-me do sonho que tive e no qual me pediste para ir ter contigo ao pôr do sol no nosso lugar mágico… “será que…” penso… “sim, quero ver o que vai acontecer”… antes de ir para o nosso encontro, paro na florista e pego numa rosa vermelha… a mais bela e perfeita que jamais tinha visto…
desvio o olhar da mão em direcção ao lugar por ti referido no sonho…
chegado lá, abaixo-me e sento-me na areia branca e solta… o pôr do sol está quase a acontecer… observo a bela rosa vermelha e penso se estarás por perto, a tempo de chegar a tempo…
o sol faz o seu caminho desaparecendo no horizonte… não apareceste…
levanto-me e caminho para a areia molhada pelas ondas… continuo a avançar até as ondas me baterem nas pernas… fecho a mão e aperto os espinhos que se cravam na palma e nos dedos… a dor percorre-me o corpo todo acompanhada por uma onda de calor… lentamente, abro a mão e deixo cair o que resta da bela rosa vermelha… o sangue vermelho vivo não hesita em fazer a sua aparição nas feridas abertas e doridas pelos espinhos… passo a mão pela água do mar e deixo-a secar pelo vento…
cabisbaixo, volto-me lentamente para me ir embora quando… diante de mim está a razão da minha vinda… cada dia mais linda, olhas para mim e sorris… o teu sorriso…
deixas os sapatos na areia solta e avanças na minha direcção… paras…abaixaste e apanhas a rosa que tinha sido levada por uma onda até ti… caminhas até mim e seguras na minha mão… uma lágrima desprende-se do teu rosto… uma simples e brilhante lágrima de alegria… a minha mão afasta os teus cabelos que o vento soprou para o rosto… quero perder-me nos teus olhos… novamente… sempre…
os nossos braços procuram os nossos corpos, juntando-os…o silêncio das palavras que não são ditas apenas porque não são precisas… apenas se ouvem as ondas… mostras-me a rosa e sussurras-me… “é a mais bela”… abano a cabeça e respondo… “não… tu és a mais bela”…
os nossos lábios tocam-se, lenta e suavemente numa dança constante de amor diante de uma rosa… uma bela rosa vermelha…
domingo, 2 de março de 2008
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