salva-me…
uma vez mais, paro o carro no meu lugar preferido e desligo o motor… deixo-me ficar sentado a observar o manto escuro que cobre a praia deserta nesta quente noite de final de primavera… com a ponta do dedo indicador, percorro as várias estações de rádio memorizadas no auto-rádio em busca de algo que me faça viajar no espaço e no tempo mesmo que para tal apenas precise de fechar os olhos… após uma fugaz procura, desisto e ligo o leitor de mp3 pois sei haver aquela música que te quero dar a conhecer um dia…
eis que a consigo encontrar e a ponho a tocar… “crimson doves - runing away”…
fecho os olhos e deixo-me levar pelo ritmo suave da parte inicial da música que ouvi pela primeira na série “ghost whisperer” (na realidade este tema é interpretado por “three days grace” e também por “midnight hour”)…
salva-me…
sinto-me despegar do meu corpo e afastar do sítio onde estou…
perco-me pelas ruas na esperança de te encontrar perdida à minha procura quando de repente paro e escuto o silêncio em busca do doce da tua voz chamando pelo meu nome… em vão… novamente uma vez mais enganado pelo pensamento de te encontrar na tua procura por mim…
procura que se tornou em rotina constante ao longo dos últimos anos das nossas vidas…
de repente, vejo alguém caminhando pela areia molhada que me prende o olhar por largos instantes e que, com medo de ser uma partida dos meus olhos, evito pestanejar até que… o faço e continuo a ver alguém que parece ser… tu…
o coração acelera no seu constante movimento querendo agora saltar do seu reservado espaço…
sinto-me a desaparecer até que… abro os olhos de repente e vejo que estou novamente no carro mas agora a fazer-se ouvir a música “roxette - anyone i love how you love me” (do álbum “The RoxBox 86-
saio do carro e corro para o sítio onde te vi há instantes atrás mas, ao chegar, vejo que foi em vão… novamente em vão…
deixo-me cair sobre os joelhos e sento-me sobre as pernas deixando-me assim ficar por instantes até que a dor se apodera de mim… fecho os olhos e as lágrimas desprendem-se e caem abruptamente pelo meu rosto até se desprenderem e se perderem para sempre na areia...
salva-me…
deixo-me assim ficar até que ouço o doce e suave da tua voz…
abro os olhos e vejo-te diante de mim… serás real??
o teu corpo diante do meu… os teus olhos lindos olhando para mim em sintonia com o teu sorriso ambos cobertos de vez em quando pelos teus cabelos…
lentamente afasto uma mecha de cabelo que teimou em ficar entre nós e deixo ficar a minha mão no teu rosto, na qual decides repousar a tua cabeça por breves instantes antes de nos aproximar-mos…
os nossos lábios humedecidos pela maresia encontram-se, pondo fim a tantos anos de espera mútua…
salva-me…
sexta-feira, 13 de junho de 2008
salva-me...
Vieira de Leiria, 12-06-2008 - 03h41
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1 comentário:
Olá Francisco! Sempre tens uma veia de poeta escondida em ti...tens muito jeito para escrever, devias pensar em escrever um livro... Pessoalmente, gosto muito das tuas palavras, continua amigo! Beijinho, Cláudia
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