domingo, 20 de julho de 2008

e depois...

Vieira de Leiria, 20-07-2008 - 02:20

e depois...
depois... dois curtos e longos meses...

Vieira de Leiria, 20-05-2008 - por volta da 1h00

e depois…
olhas para mim e perguntas “queres boleia?”…
num momento irreflectido respondo “obrigado… vou a pé…”

Actualidade

e depois...
saio pela mesma porta e paro no mesmo sítio no qual parei à dois meses e olho na mesma direcção... no meu inconsciente vejo-te no mesmo lugar a fazer a mesma pergunta...
sem aviso, sinto-me invadido por uma onda de decepção que me atinge ferozmente o peito... não consigo respirar, não me consigo mexer, não consigo falar...
por instantes permaneço imóvel desejando que o tempo recuasse e me trouxesse esse momento das nossas vidas... mas não volta... os momentos nunca se repetem... por muito semelhantes que pareçam nunca serão iguais...
e depois...
uma vez mais, percorro as ruas sem rumo... sem saber por onde andar... a vida continua dois meses depois daquela noite que não me sai do pensamento, que me atormenta dia após dia sem cessar... como seria o dia depois dessa noite? e o dia seguinte? e todos os outros que se seguiriam depois? não sei...
porque optei pela resposta errada querendo depois remediar o erro?...
como desejo que a história parasse nesse momento, apagar e reescrever as palavras ditas... como continuo a desejar o mesmo depois destes dois meses...
e depois...
a suave e fresca brisa da noite de Verão sopra no meu rosto enquanto me aproximo do banco do jardim e me sento numa das extremidades...
olho em redor e nada se mexe... apenas eu neste pequeno mundo que me rodeia...
recosto-me e fecho os olhos...
como num estalar de dedos, vejo-te no mesmo sítio como há dois meses atrás a fazeres a mesma pergunta...
uma onda de alegria invade todo o meu coração... abro a boca para te responder...
e depois...
abro os olhos... olho em redor... novamente no banco de jardim...
dois meses se passaram e continuo a ser atormentado por aquele momento...
este momento que não me larga o pensamento fazendo-me recordá-lo dia após dia, ferindo-me a alma sempre que nele penso...
que fazer?... que dizer?... que pensar?...
apenas sei que nada será igual ao que foi até hoje...
e depois...

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