Vieira de Leiria, 29-07-2007 - 1h40
de mãos nos bolsos, percorro lentamente o passeio de uma das ruas mais movimentadas da cidade olhando para as decorações das montras que, a todo o custo, tentam chamar a atenção dos que, como eu, olham para elas...
usando cores atractivas ou simples néons, muitas delas estão apinhadas de roupas, sapatos, bijuterias ou simples coisas do dia a dia...
ao passar por uma ouriversaria o meu olhar prende-se num simples anel prateado, apenas com duas letras... decido entrar e perguntar o preço... por momentos o mundo parece parar...
assim que retomo o meu caminho, a vida agitada da cidade parece nunca ter parado de correr ao sabor do tempo... as pessoas parecem não ter tempo para parar, como se fugissem de algo o mais depressa possível... o final de tarde aproxima-se e com ele a escuridão...
tento avançar por entre os corpos que rumam no sentido oposto ao meu... uma vez por outra o contacto físico é difícil de não acontecer... "desculp...", desculpo-me enquanto reparo que a pessoa já desapareceu no meio da multidão...
páro e olho as horas... está quase...
levanto os olhos e tento ver o lado oposto da rua... mas não há sinal algum...
sinto uma pequena inquietação percorrer-me o corpo... uma tristeza apodera-se de mim... tento afastá-la olhando para o alaranjado do céu que se vê ao longe no final da rua...
de repente, algo me diz para olhar novamente para o lado oposto da rua e... os meus olhos encontram instintivamente os teus... sorris e isso faz-me esquecer a tristeza que se evapora pelos poros da minha pele...
aguardo um instante pela autorização do semáforo para atravessar a rua pela passadeira... as pessoas, continuam no seu caminho e não pretendem atravessar, mudar de rumo dos seus caminhos... apenas eu e tu o fazemos...
lentamente, avançamos em direcção um do outro... até que ao chegarmos a uma distância de escassos passos do contacto, ambos paramos...
flito os joelhos e faço chegar o direito deles ao chão... ao ver o desenrolar do momento, os condutores dos carros parados diante da passadeira, resolvem usar as buzinas e fazem-se ouvir através delas com sons entrecortados...
levo a mão direita ao bolso das calças e tiro uma pequena caixa... com a ajuda da outra mão abro a caixa e, novamente com a mão direita, retiro o simples anel prateado, apenas com duas letras... sorris quando olhas para ele e dizes suavemente "o anel que te apareceu no sonho"... sorrio...
olho para ti e digo "queres ..."... o teu dedo cola-se aos meus lábios não me deixando continuar... "sabes que sim", dizes enquanto uma lágrima se solta e desliza pelo teu rosto procurando fugir... mas em vão... já me levantara e o meu dedo a apanhara antes de se desprender de ti...
suavemente ponho o simples anel prateado, apenas com duas letras, no teu dedo... sorrimos... os meus olhos perdem-se e encontram-se nos teus, assim como os nossos lábios... suavemente se encontram... suavemente se perdem neste momento parado no tempo...
o que outrora eram apenas os sons entrecortados das buzinas, agora também se fazem ouvir as palmas e alegria das pessoas que, momentos antes pareciam fugir de algo, estavam agora paradas nos passeios a participar no nosso momento...
os nossos braços perdem-se em abraços mútuos... o que antes era um suave beijo é agora algo mais profundo mais... nosso...
lentamente abrimos os olhos e sorrimos... e sorrimos ainda mais ao ver o simples anel prateado, apenas com duas letras... a minha e a tua... unidos para sempre...
domingo, 29 de julho de 2007
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