Praia da Vieira, 14-05-2007 - 0h16
Fora de horas, o carro vai percorrendo as desertas ruas frias e escuras, destoadas apenas por candeeiros que, aqui e ali, iluminam o que parece perdido no tempo...
Ruas, que surgem de ambos os lados, chamam por momentos a atenção que logo se desvanece por não pertencerem ao subconsciente...
Ao chegar a uma dessas ruas, o carro perde velocidade e ruma a ela com determinação sabendo que se trata da correcta...
Nessa rua, alguns metros mais à frente, o carro aproxima-se da berma e suavemente vai parando até não andar mais... de dentro dele sai alguém que, depois de fechar a porta, fecha também o carro e avança lentamente para a casa mais próxima...
Chegado ao alpendre carrega no botão da campainha e uma luz acende-se automaticamente... o que outrora era um vulto tem agora forma de um homem... homem que conheço.. sou eu...
Impossível - penso eu - como posso estar a ver-me ali se... o meu pensamento é interrompido pela porta que se abre lentamente e me vejo sorrir como nunca sorri na vida... até que vejo o porquê de me sorrir assim...
Suavemente sais para a rua e... o sangue gela-me nas veias... a voz fica presa na garganta impedindo-me de sussurrar o teu nome... nome esse que nunca esquecerei...
Com os corpos colados e braços envoltos na fusão, vejo os beijos que trocamos... como é possível... - penso - como é possível isto estar a acontecer?... até que... uma escuridão surge e deixo de nos ver... aparece uma claridade...
Olho em redor e reparo que é já de dia... sonhei novamente com o meu grande sonho... o sonho de te encontrar...
segunda-feira, 28 de maio de 2007
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