Pedrógão, 03-11-2006 - 23h49
lentamente vou deslizando pelas escuras ruas sem a iluminação dos candeeiros que costumam estar ligados... penso em ti... por onde andarás... afasto estes pensamentos enquanto ganho velocidade, todo o cuidado na estrada é pouco... afasto-me de casa em direcção à praia... como uma onda mais forte nas rochas assim é o pensamento que me invade... como serás... de que gostas e não gostas... porque me fazes isto...? não tens culpa alguma... é apenas a vontade de te encontrar, de olhar nos teus olhos e sentir que és tu por quem tenho esperado toda a vida...
avisto a placa que tem escrito "Pedrógão"... na rotunda sigo em direcção à rotunda seguinte onde está o barco e lá sigo pela estrada paralela ao mar.. quase no fim volto para trás e paro o carro diante do sétimo candeeiro... escrevo estas palavras enquanto penso do ti, no que estarás a fazer... estarás a pensar no mesmo? nao sei... paro de escrever, saio do carro e fico diante do mar... nada mais existe neste momento...
enquanto observo o mar, as ondas parecem-se com a dor… ora deslizam suavemente pela salgada areia molhada tocando cada grão de areia, ora rebentando ferozmente contra a escarpada falésia cansada de tanta fúria…
em comum, a doce maresia que nos sopra no rosto, soltando, por vezes, uma lágrima que corre em direcção ao quente suspiro da amargura…
fecho os olhos... por instantes fico longe de todas as dores, de todos os sentimentos e sinto-me pairar sobre imenso mar diante de mim… como é boa esta sensação de liberdade, de alívio…um momento infinito preso no tempo por um instante…
suavemente abro os olhos, limpo-os e sorrio... entro no carro e continuo a escrever... um dia sentirás a mesma sensação que acabo de sentir e sorrirás... paro de escrever.. vou para casa, tenho um novo desabafo para partilhar... até ao dia em que te descobrir... ai, serão só para ti... apenas para ti...
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário