Praia da Vieira, 26-06-2006 - 01h35
grito por ti... uma dor dilacerante corta-me o peito uma e outra vez sem compaixão... grito... as lágrimas explodem-me dos olhos como lava de um vulcão, que outrora adormecido, acorda cheio de raiva, de dor... como a lava descendo pela montanha procurando as valas vazias e secas pelo tempo querendo fugir para longe do seu ser, as minhas lágrimas inrompem pelo meu rosto abaixo... salgadas como um mar salgado, vão terminando o seu caminho nos meus lábios... outras, que percorrendo outras valas diferentes procurando serem mais rápidas, correm até ao queixo... até ao seu momento final, em que até ao último instante lutam por não se perder... até ao fim das forças... até se desprender e cair no infinito...
grito por ti... um grito forte, arrepiante, cheio de dor... mudo... o que outrora era nítido está completamente desfocado pela água salgada que teima em não parar... até quando... até quando este sofrimento constante... às vezes adormecido... com o dedo na areia húmida tento escrever o teu nome... mas o mar não o deixa fazer, apagando-o com pequenas ondas oscilantes... grito o teu nome... mudo... não tenho resposta... não me ouves...
mais um dia neste tormento... mais um... a juntar a tantos outros já passados...
por onde andas?... a tua falta... um pedaço de mim que está incompleto... pelo teu olhar... o teu sorriso... o toque dos nossos corpos... o teu... o meu... o nosso amor...
levanto os olhos para as estrelas que brilham no céu limpo, limpo de nuvens...mais uma vez... a última vez hoje... ganhando forças julgadas perdidas grito por ti... um grito forte... rouco... mudo... apenas, um grito... um grito por ti...
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