Praia da Vieira, 02-10-2005 - 02:24
mais uma noite…
fecho os olhos e suavemente deixo sair o meu espírito para uma outra viagem…
de início apenas vejo a escuridão e o sabor a sal entra em mim sempre que respiro… ao longe, um farol guia-me… a sua luz alimenta-me… faz surgir nos meus lábio um sorriso e, ao mesmo tempo, um brilho de alegria nos olhos…
“estou perto” - penso - “basta seguir a iluminação da ruas”… planando sobre ruas depressa chego ao meu destino… o mesmo de há algum tempo para cá…
pairo diante da casa que se ergue diante de mim mergulhada na escuridão da noite… a janela do teu quarto está fechada mas, no entanto, dá para ver através dos vidros… avanço até lá mas, como se algo me detivesse, fico, por um instante, encostado à parede mesmo ao lado da janela… decido espreitar… lentamente aproximo o rosto ao vidro… o interior do teu quarto não se tem alterado desde que comecei a fazer estas visitas… deitada na tua cama, dormes profundamente… todos os problemas estão esquecidos, suspensos no tempo até ao momento de acordares… a tua respiração calma e compassada nota-se através do lençol que te cobre… queria entrar nos teus sonhos e que soubesses da minha existência… dos meus sentimentos sobre ti… dos meus sonhos…
ao ver-te assim, queria tanto estar a teu lado… afastava-te suavemente o cabelo caído sobre os olhos adormecidos… com um dedo, percorria o teu rosto parando-o nos lábios por um breve instante… esse mesmo dedo daria forma à mão que passaria pelo pescoço… desceria pelo peito e quando estivesse na cintura, voltava o sentido até as costas… puxar-te-ia lentamente para junto de mim… os meus lábios tocariam nos teus por um instante antes de se dirigirem para a testa… dar-te-ia um beijo e em seguida sussurrava ao teu ouvido… “dorme bem… meu amor”…
mas deste lado da janela que nos separa tudo é diferente… os meus olhos, em tons avermelhados, há muito que deixaram cair as lágrimas de dor… a dor de não puder estar junto a ti… com as costas da mão tento secar o rosto, mas em vão… outras já percorrem o mesmo caminho das anteriores… deixo-me ficar algum tempo a olhar para ti…
são horas de voltar… lentamente, o que outrora eram imagens nítidas, começam a ficar distorcidas… borratadas… como se as lágrimas caíssem sobre elas… sinto-me a voltar ao meu corpo deitado na cama do meu quarto… lentamente, abro os olhos e, por instantes, fico a observar as horas nos despertador… “ainda passaram poucos minutos” - penso…volto a fechar os olhos e antes de adormecer digo para mim mesmo - “mais uma noite…”…
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