sexta-feira, 19 de novembro de 2004

Solidão

a noite está fria enquanto caminho por entre as pedras da calçada ao longo da praia deserta... ao longe, no mar, a luz de barco de pesca brilha fuscamente... a que distância estará da costa? apenas os seus tripulantes saberão...
avanço por entre a escuridão da noite em busca de alguem que me ouça... mas, é tudo em vão... o desespero apodera-se de mim como cola humedecida de um selo sobre um envelope sem destinatário... uma lágrima percorre o meu rosto querendo morrer nos lábios... oh amarga solidão, porque me acompanhas há tanto tempo?? deixa-me descansar... deixa-me ser feliz...
enquanto percorro a calçada, apenas ouço o barulho das ondas em constante movimento... terão elas sentimentos?? serão elas felizes por embalar os barcos que nelas navegam?? serão tristes por toda a poluição que cresce dia após dia??
está frio... mas ao mesmo tempo não está... o vento que sinto em mim faz-me voltar anos e anos atrás... sabe tão bem sentir o vento no rosto, secando as lágrimas caídas... paro por uns instantes e observo o céu... está claro e nele se vêem as estrelas piscando suavemente como se quisessem dizer algo... mas o quê?? será que elas sabem o que se passa connosco?? que sabem o que sentimos?? saberão elas o nosso futuro?? não sei... tantas dúvidas, tantas incertezas...
o vazio no meu peito, esse sim, é uma certeza há tantos anos... esperar, "basta" saber esperar... enquanto isso, os anos passam, a idade avança...
olho para trás e vejo o longo caminho que percorri... todo ele para te encontrar... para te ver... para te amar e ser amado...
e tu?? será que me tens procurado como eu o tenho feito?? um dia saberemos quando nos olharmos intensamente... e todo este pesadelo desaparecerá quando os nossos lábios se tocarem... então saberemos que valeu a pena esperar por esse momento...onde estás?? procura-me... encontra-me... faz-me sair da solidão...

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